segunda-feira, 2 de abril de 2018

Giambattista Tiepolo - A Morte de Jacinto

1752-1753
Giovanni Battista Tiepolo (1696-1770), também conhecido por Giambattista ou Giambattista Tiepolo,  foi um dos grandes mestres da pintura italiana. Originário de Veneza, foi muito prolífico e trabalhou não só em Itália, mas também em Espanha e na Alemanha. O seu estilo grandioso marcou uma geração e inspirou muitos artistas.

Na sua obra A Morte de Jacinto, retrata Jacinto, que era um jovem mortal muito amado pelas divindades, principalmente por Apolo, o deus grego da Luz, das Artes, da Beleza e da Juventude. Apolo teria um dia ferido de morte o seu amigo Jacinto lançando-lhe acidentalmente um disco durante uma competição desportiva de péla* e na versão deste episódio, Tiepolo pintou um jovem em agonia sobre um lençol de seda brilhante que sofrera o impacto mortal de uma bola de péla. Apolo, que durante um jogo lhe causou inadvertidamente o perecimento, manisfesta o seu desespero levando a mão à cabeça.

Perante o olhar cínico de um sátiro sob a forma de estátua, Apolo promete ao jovem que o sangue jorrado no chão se transformará numa flor de um colorido mais belo que a púrpura e que essa flor carregará o seu nome e renascerá todas as primaveras relembrando o seu fatídico destino.  

*O jogo da péla foi um jogo muito praticado outrora e consistia em atirar uma bola (a péla) de um lado para o outro com o auxílio de uma raquete, sendo considerado um dos ancestrais do ténis. Desde o século XIII era praticado em salas fechadas por clérigos, burgueses e príncipes.


No museu de Sainte-Croix, em Poitiers, pode admirar-se esta
obra do pintor neoclassicista Jean Broc, na qual Apolo toma
 Jacinto nos seus braços a fim de  o socorrer, sem sucesso:
La Mort d'Hyacinthe, 1801

O pintor anglo-americano de motivos históricos Benjamin West
também se interessou pelo epeisódio de Apolo e Jacinto:
The Death of Hyacinth , 1771.


O intermédio musical em latim Apollo et Hyacinthus, 1767, 
dentro do estilo barroco italiano, foi a primeira ópera 
composta por Mozart com apenas 11 anos de idade.





domingo, 1 de abril de 2018

Gregório Lopes - Martírio de São Sebastião



Gregório Lopes foi um dos pintores portugueses mais marcantes no início do século XVI, tendo sido pintor régio de D. Manuel I e D. João III. Muito prolífico, é-lhe atribuída a autoria de pinturas e retábulos espalhados por algumas igrejas portuguesas.
O Martírio de São Sebastião integrava um conjunto de pinturas destinadas ao Convento de Cristo, em Tomar. São Sebastião ter-se-ia alistado no exército romano com a única intenção de confortar o coração dos cristãos, enfraquecido diante das torturas. Ao ser julgado como traidor, foi morto durante a perseguição levada a cabo pelo imperador romano Diocleciano. Na cena aqui retratada, foi atado a um poste e foi vítima de flechas que lhe trespassaram, mas sobreviveu graças a um grupo de mulheres que o encontraram e que cuidaram dele. Mais tarde foi martirizado novamente tendo sido espancado até a morte e atirado para um esgoto romano.


O santo amarrado à coluna de uma imponente construção
 arquitetónica em ruínas, por Andrea Mantegna:
São Sebastião, 1481


Um dos trabalhos-chave de El Greco nos seus 
primeiros anos em Espanha, que pode ser 
admirado na Catedral de Palencia:
São Sebastião, 1578


O Museu Nacional de Arte na Cidade do México expõe uma pintura
 alusiva a São Sebastião, do pintor mexicano Angel Zàrraga:
  Ex-Voto de St Sébastien, 1912

Alberto da Veiga Guignard, pintor brasileiro, também
 se inspirou no santo mártir:
São Sebastião, 1960



sábado, 31 de março de 2018

Nicolau Abraão Abildgaard - O Pesadelo


1800
Nicolau Abildgaard (1743-1809) foi um escultor, arquiteto e pintor dinamarquês neoclássico. Estudou e foi professor de pintura, mitologia e anatomia na Academia Real de Belas Artes da Dinamarca, em Copenhaga, tendo sido também seu diretor.
Nesta pintura "O Pesadelo", pode ver-se um casal a dormir numa cama e sobre a mulher, nua, encontra-se um demónio conhecido por íncubo. Trata-se de uma criatura da mitologia medieval europeia que invade o sonho de mulheres fragilizadas emocionalmente, com a finalidade de se envolver sexualmente com elas e drenar a sua energia. A vítima vive esta experiência presa num sonho sem poder despertar dele. 
A situação descrita, as tonalidades escuras e a forma como o demónio nos fixa com os seus olhos penetrantes e vermelhos, tornam a pintura perturbadora e maquiavélica.


Abildgaard inspirou-se numa pintura mais
antiga de Johann Heinrich Fussli:
 O Pesadelo, 1781.


O íncubo na arte mais atual do pintor
 peruano Boris Vallejo:
Burning, 1979.


A contraparte feminina do íncubo é a súcubo,
aqui retratada pelo pintor americano David Goodrich:
Succubus, 1994.